Por que sou Conservador?


Existe um valor explícito e agressivo na moralidade cristã que a faz incomodar os entusiastas da liberdade absoluta. O pensamento conservador clássico pressupõe uma manutenção a fim de preservar a sociedade minimamente organizada nos seus núcleos relacionais, é como ter uma casa, reformar sem colocar as paredes abaixo. O pensamento progressista da liberdade absoluta, enxerga a casa como obsoleta e antiquada, sem qualquer cálculo e planejamento, coloca os telhados no solado e depois pensa em como reconstruir a casa. O problema mora justamente aqui, ainda usando a alegoria da casa, o conservador a conserva e reforma, não altera as estruturas basilares de sustentação pensando na herança dos filhos e netos, ao contrário do revolucionário hedonista, cujo único objeto de interesse é a própria satisfação. O cristianismo como meio conservador de preservar a sociedade em moldes sociáveis de atribuir dignidade ao indivíduo pela sua simples existência, e não por algo que ele deva conquistar, é uma cultura que agride ferozmente o materialismo barato, o cristianismo como cultura, agride o hedonismo no exato ponto onde eles enxergam a liberdade. Bom, vou traduzir, quando um modernista diz “Na igreja só tem regras, ser conservador é ser antiquado, eu quero curtir a vida”, o que exatamente ele está dizendo é “Eu não quero essas regras, quero fazer o que eu quero, daqui 20 ou 30 anos, quando a água bater na bunda eu resolvo organizar a minha vida” e geralmente o que ouvimos depois é “Se eu tivesse a cabeça de hoje na minha juventude, hoje minha vida seria diferente”, o que ele ignora é que a cabeça de hoje estava lá atrás sendo desprezada e caçoada. A revolução hedonista é empolgante porque atende rápido uma fome rebelde, é um miojo que em 3 minutos está em seu bucho te satisfazendo sem te sustentar, o conservadorismo cristão por outro lado, se prova no tempo, os valores são evidenciados no tempo, ainda que seja moda sair pegando sem se apegar, o casamento é um desejo a ser alcançado e celebrado. Ainda que seu olhar seja líquido para paquerar alguém e postar nos stories, é a pessoa que te acompanha no médico que você sente falta numa quinta feira a noite. No fundo, a liberdade tanto almejada que a revolução do prazer ofertou, não passa de algemas, algemas tão profundas que a necessidade de qualquer outro é essencial porquanto sua própria companhia é insuportável.
James K A Smith diz que Deus nos ama não só antes de podermos amar Ele, mas antes mesmo que soubéssemos o que é amar. É porque Ele nos amou que nós o amamos, e só porque ele nos amou é que podemos amar. Roger Scruton vai dizer que “O mais importante impulso para o pensamento conservador é o desejo de sustentar as redes de familiaridade e confiança das quais a comunidade depende para sua longevidade. O conservadorismo é o que diz seu nome: a tentativa de conservar a comunidade que temos — não em todas as suas particularidades, uma vez que, como afirmou Edmund Burke, “precisamos reformar a fim de conservar”, mas em todos os aspectos que asseguram a sobrevivência de longo prazo de nossa comunidade.[...] O conservadorismo defende a liberdade, sim. Mas também as instituições e atitudes que moldam o cidadão responsável e asseguram que essa liberdade seja benéfica para todos. O conservadorismo também defende, portanto, limites à liberdade. E aqui, no potencial conflito com a visão liberal extrema que valoriza a liberdade acima de todas as outras coisas e se recusa a estabelecer limites para seu exercício, encontramos uma das principais questões políticas de nosso tempo.” Ao passo que G.K. Chesterton diz que “No momento em que entra no mundo dos fatos, você entra em um mundo de limites. Você pode libertar coisas de leis estranhas ou acidentais, mas não das leis da própria natureza delas. Você pode, se quiser, libertar um tigre de sua jaula, mas não o liberte de suas listras. Não liberte o camelo do fardo de sua corcova: você pode estar libertando-o de ser um camelo. Não aja como um demagogo, encorajando triângulos a saírem da prisão de seus três lados. Se um triângulo se libertar de seus três lados, a vida dele chegará a um final lamentável. [...] O cristianismo veio ao mundo em primeiro lugar para afirmar com violência que o homem não tem que olhar somente para dentro, mas olhar para fora, contemplar com espanto e entusiasmo uma companhia divina e um capitão divino.”
O valor moral ajustado aqui, não é que somos melhores, mas que os valores são consistentes. O caráter de preservação dos princípios de sustentação da sociedade do ponto de vista cristão só tende a dar certo, justamente porque vem de fora, vem dos céus, seria como Agostinho dizer que apenas Deus compreende e explica o tempo porque está fora dele. O que me fez abraçar a filosofia conservadora, foi a agressividade onde os meus impulsos foram esmagados, o conservadorismo cristão evidenciou que, ainda que eu não fosse um devasso, ainda era um canalha, e foi no ajuste feito pela religião e a filosofia conservadora que os meandros líquidos cederam espaços para sustentações mais sólidas e consolidadas. Foi nesse processo que pensadores como Nietzsche perderam seu brilho, pois ele não assume seu estado irresponsivo, porquanto, o valor de eternidade é essencial para a longevidade social, seja eternidade no sentido individual de uma vida após a morte, ou no coletivo da posteridade como meio de eternizar os trabalhos do hoje, de todo modo o here and now perde seu valor no aspecto maior, o existencialismo deixa de ser algo lúdico e passa a ser barato e é exatamente nesse ponto onde a gente entende porque na natureza as listras dos tigres estão ali, e o sentido da vida começa a se estabelecer não no que eu quero fazer, senão, no que eu preciso fazer, e defender ferozmente esses valores tão caros.

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