Ignorância Cultural e Preconceito Regional ou Zelo Religioso?


A polêmica em volta da música “Auê”, de Marcos Telles e o grupo Coletivo Candieiro, tem mais cheiro de xenofobia e racismo, do que um zelo religioso. A gente se veste de uma cultura que não é nossa, para transvestir um comportamento religioso em ambiente religioso, há uns anos, tivemos o mesmo arco de polêmica com a música “Só quero ver você!”, e que baita escândalo chamar Deus de você, afinal, “quando vamos à um tribunal, não chamamos o Juízo de você”, pois mas Deus se aproxima de nós como um Pai, e tratamos um pai como um pai e não como um Juíz, “Que absurdo Bruno, que falta de Respeito, Deus merece honra”, sabe onde eu vejo Deus responder essa narrativa? Em Malaquias! “Deus é nosso Senhor e Pai” diz o texto que o povo assim se referia ao Senhor, mas Deus responde “Se sou Pai e Senhor, cadê minha honra e o respeito para comigo?”. Para a surpresa de muitos, a gente tem muita gente na igreja que se quer consegue explicar o plano de salvação, e pior, a relação com a fé é puramente sincrética, como enterrar óleo no monte, passar óleo em objetos para “consagrar”, queimar pedido de oração, a gente usa elementos judaicos que não cabem entre os gentios, cantores se denominam Levitas, a galera usa Talit e Kipa, a gente traz louvores dos EUA, especialmente da Hillsong Worship, e está tudo certo, mas é um escândalo termos músicas baseadas em perícopes bíblicas com elementos culturais nacionais.  
Somos capazes de matar e morrer por doutrinas que a gente só ouviu, nunca leu, sabemos sequer se é verdade. A gente cantava “Sabor de mel”, foram feitas campanhas e congressos contendo essa música o tema litúrgico dos eventos e estava tudo bem, agora, uma música com elementos culturais nacionais e regionais nortistas e nordestinas, são escárnio, e nem é música congregacional. E mais, estamos extraindo opiniões de um recorte de 30 segundos ou 3 minutos, de um material de 50 minutos, ou é muita maldade ou muita ignorância.
Ninguém vai falar da Assembléia de Deus que alugou o Centro de Convenções das Assembleias de Deus por 2 Milhões para a COP 30 que contou com expressões religiosas não cristãs, e que excomungou os pastores que foram contra esse aluguel? Ninguém vai falar de pregadores famosos que cobraram mais de 80 mil da prefeitura para pregar e ainda falar que “estar ocupado é uma questão de status por pressão da sociedade” e questiona os fiéis que de 3 dias de evento, vão em 1 em virtude do trabalho.  
A Música do Marcos Telles, diz exatamente que essa galera menos favorecidas, essa galera às margens dos grandes pódio, inclusive religioso, são alcançados pela graciosidade do convite ao grande banquete. Se isso é um escândalo para nós, o problema não está na música, ou na subjetividade que eu coloco nela pra enviesar uma leitura litúrgica, o problema está na minha teologia, está na minha narrativa assombrosa de excluir expressões litúrgicas com elementos culturais e regionais que não fazem parte do meu contexto, o problema está em adotar uma postura linguística sofisticada, estabelecendo isso como o meio correto de louvar a Deus e sendo um diabo nas relações sociais e públicas de trabalho, familiar ou de amizade, o problema está em chamar Deus de Senhor e não de você, e ser contendeiro, excludente, maldizentes e fofoqueiro. 
O problema não é o Auê, o problema é a falta do fruto do Espírito Santo, o problema não é o que a subjetividade da letra pode dizer, é o que eu factualmente digo e fere o outro, não são os instrumentos utilizados na música, são as minhas ações como instrumentos do diabo e do pecado o problema. 
Antes de irmos às redes postar e comentar em nome de uma apologética, precisamos averiguar a cristocentricidade em nossa vida. Precisamos nos arrepender e buscar em Cristo graça, bondade e verdade.

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