Crítica Textual e Vida comum na Igreja


Qual a importância da crítica textual na vida comum da igreja e os cuidados dos desvios liberais?
Bom, quando um assunto estritamente acadêmico se torna pauta de discussões entre a população comum, precisamos tomar cuidado com as afirmações categóricas, por esse motivo, eu tento qualificar as afirmações e respostas. Em primeiro lugar, o que é a crítica textual? É a disciplina da teologia que estuda a analisa os manuscritos, que são mais de 7 mil cópias, e um adendo é necessário, quando falamos sobre os "originais", em regra, são dessas copias avaliadas que estamos falando e não dos pergaminhos escritos pelos próprios autores, que a estes chamamos de autógrafos.
Pois bem, segundo ponto. Há erro nas escrituras ou podemos assegurar a inerrância bíblica? Se por escritura, a pergunta se refere à versão que temos, claro que há, e é por isso que não há Bíblia perfeita, pois por se tratar de tradução, apesar da tentativa do comitê de se aproximar dos originais, a tradução não será perfeita e isso não é nenhum absurdo, por isso a sugestão de comparar as traduções para uma melhor compreensão dos textos até que se possa ler em grego ou hebraico. Quanto à Bíblia em sua forma total, não há erro, e acreditar que há, é abrir um abismo para o liberalismo Teológico, é andar a passos largos de um ateísmo teísta, porquanto acredita-se em um Deus, mas não em suas doutrinas. Não acreditar na inerrância é tomar para si, a autoridade de fazer a Bíblia dizer o que ela nunca disse, nem se propõe a dizer. 
Nós já temos um trabalho grande de ajudar os nossos irmãos a ler a Bíblia e o cuidado de respeitar o texto ao transmitir um sermão. Devemos ensinar crítica textual, bem como leitura metodológica dos textos, ensinar a partir da regra para a exceção e não o contrário. Devemos ser expositores dos textos e tratar dos temas e assuntos complexos e delicados nos ensinos. 
Por que é tão importante a crítica textual na vida comum da igreja? Porque ela nos oferece ferramentas e métodos de avaliar pregações, ensinos, doutrinas e regimentos doutrinais das igrejas e avaliar se onde ele está visitando ou se inserindo, é cristocêntrico. É com a crítica textual, que aprenderemos a identificar doutrinas triunfalista, coach, teologia da libertação, teologia da prosperidade, etc. Não porque ela vai te dar um checklist de fiscalização, mas porque ela vai te ensinar "poxa, esse texto está fora de contexto", "pera aí... Essa ideia de exorcismo não é bem assim", "Pera lá, isso não condiz com os demais textos da Bíblia, esse ensino está num caminho estranho"; e daí então estaremos caminhando para um rumo de igreja saudável. 
Não se empolgue com marketing gospel, o que faz uma igreja crescer de forma saudável é pregação, discipulado e ensino sério, nada além disso. Precisamos que ortodoxia e ortopraxia andem juntos em nossa liturgia.
Terceiro e último ponto. É a crítica textual quem vai resolver alguns tópicos delicados e outros não tão delicados mas, importantes também, por exemplo, o final longo de Marcos, o diálogo de Jesus com os discípulos após curar o menino lunático na descida do monte da transfiguração, a questão de quantos cegos no caminho da cidade e as distâncias, etc. São pontos mínimos quanto às doutrinas essenciais do cristianismo, mas ainda sim causam alguma estranheza aos leitores, e a crítica textual explica os pormenores destas narrativas. Nos ensinando a não espiritualizar além do que já está espiritualizado na propria preservação dos textos. A finalidade da crítica textual é nos aproximar ao máximo da narrativa original, minimizando influências místicas e míticas, nos inserindo nas cadeiras dos ouvintes primários. E é claro, crítica textual tem de fazer parte de um corpo instrumental na vida da igreja, até porque ela é uma disciplina da hermenêutica junto da exegese, ambos tem de estar acompanhado da homilética para que a Igreja receba essa clareza de forma inteligível.

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